“As redes sociais ajudam a reforçar o jornalismo nas sociedades democráticas” – ex-PR de Cabo Verde
Não se deve confundir jornalismo livre com "imprensa comprometida", disse Jorge Carlos Fonseca
O antigo Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, participou terça-feira (9), em Dacar, na sessão de abertura da 50ª Conferência Internacional de Imprensa Francófona. Na capital senegalesa, o ex-Chefe de Estado cabo-verdiano falou de uma “era de informação rápida e instantânea”, reconheceu os desafios enfrentados pelos meios de comunicação social, mas defendeu que as redes sociais ajudam a reforçar o papel do jornalismo nas sociedades democráticas.
No evento organizado pela União Internacional da Imprensa Francófona, Fonseca considerou ser inevitável estabelecer-se uma ponte entre veiculação de desinformação, discurso de ódio, “desconfiança” nas instituições e aumento de tensões sociais e políticas.
Sobre os media sociais, comentou que estes amplificam a velocidade de propagação da informação, o que obriga à existência de mecanismos de verificação de factos e promoção de uma utilização responsável das plataformas digitais de comunicação.
“Este é atualmente um grande desafio para o jornalismo credível e sério. É também um desafio para a democracia representativa. Mas o jornalismo profissional desempenha um papel fundamental na verificação dos factos e na divulgação de informação credível ao público. Diria mesmo que, contrariamente à ideia de que as redes sociais podem acabar com a profissão de jornalista, as redes sociais ajudam a reforçar o jornalismo nas sociedades democráticas”, disse o ex-Presidente cabo-verdiano.
Para Jorge Carlos Fonseca, que ocupou a presidência de Cabo Verde em dois mandatos consecutivos, de 2011 a 2021, é responsabilidade da sociedade, incluindo meios e profissionais de comunicação social, reforçar “os alicerces de um mundo mais livre, mais pacífico e mais seguro”.
Se é certo, declarou Fonseca, que não existe democracia sem jornalismo livre, também não é menos verdade, acrescentou, que a imprensa livre não pode ser confundida com “imprensa comprometida e/ou disfarçada de esquadra política”.
“A ilusão mais difundida e mais perigosa, e também a mais difícil de dissipar, é a de acreditar e considerar que a paz e a segurança em África podem ser alcançadas através da construção de autocracias ou de regimes ditatoriais. Muitas vezes, se não sempre, estas autocracias e regimes ditatoriais recorrem à eterna desculpa dos seus próprios erros com as faltas e omissões dos outros, recorrendo a inesgotáveis argumentos culturalistas e historicistas”, sublinhou.
“São aqueles que escolheram a profissão de jornalista que têm um papel crucial e decisivo a desempenhar na superação deste tipo de círculo vicioso que justifica a opressão, a tirania, a desigualdade e a miséria”, desafiou.
A Conferência Internacional de Imprensa Francófona reúne jornalistas e outros profissionais de comunicação de 43 países, além de representantes de organizações ligadas aos media, como a Federação Internacional dos Jornalistas, Comité de Proteção de Jornalistas, Repórteres Sem Fronteiras, Artigo 19 ou Human Rights Watch. Em 2023, o encontro, que termina esta quinta-feira (11), decorre sob o lema “Media, Paz e Segurança”.



